As crianças costumam ser muito apegadas aos pais, dependem deles para praticamente tudo e ainda não sentem tanta necessidade de liberdade e de ter o próprio espaço.

No entanto, quando crescem e viram adolescentes, os filhos começam a questionar tudo o que aprenderam durante a infância e isso causa desconforto nos pais, que encaram essa “nova forma de ver o mundo” como desaforo e os filhos, como rebeldes.

Mas há algo que você deve saber: chamá-los de “aborrecentes” não vai melhorar as coisas.

Alguns conselhos são importantes para manter um bom relacionamento com seu filho adolescente:

Entenda que ele cresceu

É normal a tendência à independência e isso não significa que seu filho não gosta mais de você. Significa apenas que ele está conquistando o próprio espaço, independência e autonomia, está aprendendo a andar com os próprios pés e isso deve ser motivo de orgulho para os pais que, até então, batalharam para que ele fosse um bom ser humano para o mundo.

Saiba como lidar com ele

Entender e dar mais liberdade aos filhos nessa fase é muito importante, mas vale ressaltar o quanto é fundamental estabelecer limites à permissividade. O período é de novas experiências, que ajudam na construção da identidade dos filhos, mas é, por isso mesmo, também um momento de reforçar valores e fazê-los entender limites. Deixe que seu filho durma na casa dos amigos, que vá a festas, negocie o horário em que ele deve estar de volta em casa, mas não seja tão rígido.

Esteja por perto (de verdade)

É comum os pais acharem que estão próximos o suficiente dos filhos, mas nem sempre estão fazendo isso do jeito certo. A questão é: dê liberdade, mas saiba o que está acontecendo. Deixe que seu filho durma na casa dos amigos, mas saiba quem são os amigos; permita que ele vá a festas, mas saiba onde é cada festa; deixe que ele volte para casa um pouco mais tarde do que o normal, mas certifique-se de que ele cumprirá o novo acordo. Assim, vocês vão estabelecendo confiança um com o outro.

Encontre o equilíbrio entre confiança e cobrança

A sua relação com seu filho deve ser baseada especificamente na confiança e no diálogo. Certificar-se de que ele está em segurança é uma coisa, vigiá-lo é outra completamente diferente. Você deve saber dosar os dois comportamentos e entender que cobrança demais assusta, afasta e cansa os dois lados: pais e filhos. A psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, de São Paulo, explica que, quando o filho acha que os pais não confiam nele, ele passa a considerar que fazer o certo ou o errado não fará a menor diferença nessa relação.

Valorize as descobertas deles

Não vale a pena ficar repetindo que você já passou por essa fase e que você sabe como as coisas funcionam. Evite minimizar o sofrimento, tentar impedir as tristezas, desvalorizar as dificuldades ou tomar decisões pelo seu filho. Você já passou por esse momento? Pois agora é a vez dele! Esteja sempre por perto, dê conselhos, acompanhe todas as novas experiências que virão. Mas é preciso prepará-lo para se proteger sozinho e saber enfrentar as consequências de cada escolha.

Tente não seguir estereótipos de pais de adolescentes

Alguns comportamentos são comuns em pais de adolescentes, como ter reações desproporcionais à gravidade das situações, dar broncas frequentes, constranger os filhos (o famoso “pagar mico”) e fazer chantagens. Em vez disso, tente hierarquizar a gravidade dos fatos, estimule o diálogo, procure entender as razões que levaram seu filho a fazer escolhas erradas, evite expor particularidades e intimidades dele (lembre-se de que você sabe coisas sobre ele que o resto do mundo não sabe) e entenda que ameaças fazem com que seu filho obedeça apenas para não perder algum privilégio e não porque ele genuinamente entendeu as suas razões.

Seja um pai moderno

Pais retrógrados são os donos da verdade, acham que sabem o melhor caminho para os filhos e tentam carregá-los em vez de apenas orientá-los. Não raro, os pais insistem em reproduzir modelos ultrapassados, repetindo, até a exaustão, que “no tempo do meu pai era ótimo, era só ele me olhar que eu abaixava a cabeça e obedecia”.

Mas que tal então se adaptar aos novos tempos em vez de ficar se lamentando?

Natália Cunha, psicóloga clínica cognitivo-comportamental do Centro de Psicologia Aplicada de Juiz de Fora (MG), afirma que essa dificuldade de comunicação “se traduz tanto pela dificuldade dos pais em afirmar autoridade, quanto dos filhos em manifestar aquilo que sentem falta”.

No fim, a conclusão é que tanto pais quanto filhos esperam apenas ser amados. Esperam poder conversar tranquilamente, compartilhar vivências sem julgamentos e poder encontrar alguma base de apoio e confiança. Então talvez seja melhor ser um pai moderno do que retrógrado.

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